quarta-feira, 9 de abril de 2008

Lost for a while and found some other time.

Searching for some poems of mine spread in the internet I`ve found an old blog that I use to have an year ago.
One of the texts that I wrote touched me (it`s in Portuguese). It fits very well to the moment.

Uma nova paisagem.

Hoje eu fui a procura de uma nova paisagem. Me via cansada de movimentar compulsivamente para os mesmos lugares. De fato, pensava eu, por falta de escolha, mas me contradisse. Em 40 minutos estaria em um novo país, e mesmo assim não me dei conta que esse tempo era curto e vantajoso, pois em poucos minutos eu respiraria novos ares.
Lá fui eu com a força que mal tenho para ler quando sou obrigada. Era madrugada quando peguei o primeiro transporte. À medida que ia me afastando da cidade de origem os cenários mudavam (é óbvio), mas a temperatura também...tornava-se cada vez mais frio. De repente, as paisagens tornaram-se embranquecidas pelo inverno. A grama branca, As árvores secas, com uma subtil camada de gelo sobre seus finos galhos fracos.
Após uma longa jornada, fiz a minha primeira parada, já tardia, posto que perdera o próximo transporte. Como o frio estava insuportável (-4 ° C ), me acolhi em um posto de gasolina próximo ao ponto.
"Een pakje cigarett, alstublieft." (um maço de cigarro, por favor) eu disse ao dono do posto. E após o cigarro, me pus sentada a ler meus módulos sobre atualidade da arte. Comecei a ler, após semanas ter comprado o módulo e faltando um dia para a minha prova.

Eu tinha em mente, de certo, a frustração de tentar ler textos em uma língua a qual não tenho fluência com o objetivo de absorver informação, sem poder entender o texto por completo. E por essas e outras, esse medo, ou melhor, essa pré idealização de uma sensação me fez deixar para ler de última hora. Sim, a consciência meio que pesava. Pesava por ter chegado até a um determinado lugar e ter a sensação de ali ficar, inerte. Analiso meus processos e constatei que essa sensação de inercia é para a qual eu estou aprendendo a criar anti corpos.
Enfim, voltemos a outros aspectos que me tocam. No momento que comecei a ler esses textos e percebi elementos de identificação por minha parte com os artistas nos textos em questão, era como se conversasse com eles. Enquanto os lia, me punha além das palavras e imaginava aspectos de suas vidas que me levariam a deliniar as figuras de suas imagens. E com isso, já se passara 35 minutos de espera. Meus pés estremeciam, ardiam de frio. Sentia as meias como se estivessem molhadas e estivessem a ponto de solidificação. Enquanto congelava, mesmo dentro do posto, continuava a ler os textos com a motivacão de quem não quer desistir no último momento. Comecei a ler rascunhos sobre vida e obra de Louise Borgeois, escultora francesa. entrei no ónibus com ela e a viagem novamente começou. as mãos, coberta de luvas paginavam os textos até que chegou em uma espécie de diário da artista. Meus olhos, enquanto a liam, saltavam de uma emoção risível, uma sensação rara. A medida que lia sobre suas idéias, me via completamente nelas. as minhas intenções com a arte, a minha maneira de expressar, os elementos que acho relevante na minha forma de expressão.


Dois trechos que me chamaram a atenção:

"In a refusal to come to grips with the problem you project yourself at the horizon. The landscapes explode in a desire to escape, to distance yourself and dissolve the anxiety. Terror is turned outward toward the understanding of the universe. The introjection of the landscape is the lair."

"the spiral is an attempt at controlling the chaos. It has two directions. Where do you place yourself, at the periphery or at the vortex? Beginning at the outside is the fear of losing control; the winding in is a tightening, a retreating, a compacting to the point of disappearance. Beginning at the center is affirmation, the move outward is a representation of giving, and giving up control; of trust, positive energy, or life itself."

A viagem, após essas citações tornou-se mais prazeiroza, assim como a leitura dos textos. E apesar do frio, foi uma viagem composta de uma nova paisagem. Gélida na casca, branda aqui dentro.

Eu não estava ali sozinha. Acompanhada estava de outras idéias.

Welterusten.

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